quarta-feira, 24 de setembro de 2014

"Araújo e Ofélia" de Beto Hinça



O Festival "1º Bonecos de Curitiba", uma iniciativa da "Asso­cia­ção Paranaense de Teatro de Bonecos - APRTB", e contou com grades nomes como Beto Hinça com seu retorno ao Brasil. Cidadão formado no Colégio Estadual do Paraná como grandes nomes do teatro brasileiro que tiveram sua iniciação neste colégio. 

O Beto é um sujeito espirituoso e relatando sua estada com apresentações na Itália, França Espanha, Bélgica e Portugal. Ficou claro que sua maneira de ser veio afetada com que tem de melhor naquelas paragens com mais de 2.000 apresentações. Em uma conversa no saguão de um teatro na espera de outra peça do festival conversamos sobre o fado português. Ele falava da violá portuguesa numa conversa destas de definições mútuas como a violá é estridente com som agudo e ele completando que ela brilha. 

Mas brilho mesmo é o Beto Hinça com amadurecimento dos 25 anos de carreira e sua vida uma peça de teatro num metateatro que são suas obras. Volta para apresentar em escolas deste estado fazendo a alegria de crianças e adultos num mundo que precisa a voltar a sorrir. Uma educação voltada para o lúdico completa e realiza a necessidade da volta as origens da natureza. Volta com um repertório como o "Felizberto e a Felizbanda" e "Araújo e Ofélia" de concepção em Portugal. 



Seus trabalhos pode ser contactado pela Villa Hauer Cultural em Curitiba pelo telefone 41-3333-7652 e o seu celular Beto Hinça 9864-3980.  

domingo, 21 de setembro de 2014

Estilhaços e [...] algo assim



Um domingo como deveria ser todos os domingos. Todos os dias deveriam ser domingo e dia de criança brincando. Os animais brincam, as crianças brincam e os adultos pensam que amadureceram. Mas basta chegar o domingo para aqueles adultos voltarem sua atenção a criança em si quando arrastam o cachorro e rolam com as crianças no gramado.

Elenco do Estilhaços e [...] algo assim
A peça que assisti “Estilhaços e [...] algo assim”, neste domingo a tarde no Sesc da Esquina em Curitiba resgata este tom natural primitivo das brincadeiras. Interagem com elas num grande bacanal da alegria e afazeres infantis. A marca principal é a participação deles na peça, incluindo os pais que muitas vezes não tiveram a oportunidade de se soltar quando criança. As imagens soltas e incentivadas pelos atores no jogo.

A colocação de um jogo infantil estabelecido na natureza animal que se reflete em outros animais, que não da nossa espécie, vem universalizado. Tanto que um adulto sabe ser criança como uma criança e volta sempre a suas origens primitivas. Um cachorro morde a orelha de um outro na brincadeira sem machucar representando que estão com raiva um do outro, e as crianças interagem nesta sintonia. 

Um ator é abençoado duplamente quando estabelece este nexo. Pode parecer sem sentido isto. Mas ele é que faz a separação tênue entre natureza e cultura humana. E toda a nossa criação não vem das necessidades humanas como pode parecer. Ela vem desta possibilidade de brincar como um sonho da vida em contemplação. Principio básico para a cultura. Pode-se até criar pela necessidade imposta sem ser as grandes descobertas pelo sonho. A nossa racionalidade é um devaneio, um ser desperto no mundo.  

sábado, 20 de setembro de 2014

O peidinho nas imagens são palavras que sumiram


http://coltisorderai.blogspot.ro

Ontem a noite eu estava sentado naqueles bancos de praça no saguão do Teatro José Maria Santos em Curitiba, e uma garota encostada na parede ao meu lado que só constatei ela quando ela deu um peidinho.

 O peidinho dela era despreocupado e prolongado que parecia fogos de final de ano. Muito feliz que quase dava para interpretar como lá...lá...lá... a garota deve ter problemas de audição por achar que ninguém estava escutando ou fez só para que eu escutasse. Daqueles peidos invisíveis que a gente dá em público. 

Mas o sonho só acabou depois que assisti a peça do teatro de bonecos "As imagens são palavras que sumiram". E quando sai do teatro meus olhos me diziam: que maravilha a gente assistiu. Não sabia que o teatro de bonecos tinha tantas imagens. 


As imagens são palavras que sumiram

E depois de me encher tanto o saco constatei que na rua do largo da ordem tem algumas garotas desfilando de bicicleta. Conclui que nunca vi uma garota de bicicleta que seja feia. As bicicletas são molduras que contornam suas belezas. Apoio as bicicletas só para ter o gosto de ver quadros inspiradores. E Luciane Figueiredo, que trabalho lindo o seu. 

A peça faz parte do Festival de Bonecos que está ocorrendo na cidade. E pode ter certeza que ele vai resgatar a criança que tem em você. Está criança que estabeleceram não tem nada a ver com idade. É algo que estou falando num artigo do meu curso de pós.


sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Marat Sade - Teatro da Reitoria.



Amanhã é dia de assistir o "Marat Sade" do meu ex professor Jul Leardini. Grande figura com suas peças de teatro. Uma ligação muito boa com bons atores profissionais de Curitiba e assim um belo trabalho no palco. Fora as óperas que ele costuma fazer que não fui assistir. Professor formado em filosofia.
Foi meu professor de dramaturgia no antigo Sir Laboratório ArtCine. Ele, e o Valêncio Xavier como professor de roteiros. Eu estava bem de professor, com ilha Quantel da época e aulas com câmeras de película, que sorte em? E como pano de fundo rolando o filme "Oriundi" com muitas das internas no Sir Laboratório. Bons tempos. Uma hora desta vou passar para uma mídia um filme da Lala Scneider em 16mm inédito que rodamos. Tenho uma preguiça danada. Mas uma hora me animo.

Lembro do Valêncio com sua mania de fumar. As cadeiras do anfiteatro que era nossas aulas toda carpetada e as paredes de madeira própria para som. Para se chegar a mesa dele é como no teatro da reitoria que tinha de descer degraus e ele ficava lá embaixo. Com o detalhe que pela sofisticação do espaço de um anfiteatro pequeno e intimistas que não comportava um fumante. É claro que os dois estúdios de gravação cabiam uns dois boeings dentro. Exagerado não? E ele era o rebelde, fumava. Não estou vendo isto como um lado negativo e sim vendo que ele tinha suas características, e na época todo mundo era uma chaminé. Gostava de falar do Inri Cristo e do filme Pixote que ele tinha participação no texto. Foram tempos do Mez da Gripe que ele autografou e tempos depois tive que vender por falta de dinheiro.

Já vivi alguns momentos. Uma hora desta falo como foi minha morada no Rio na casa do Carlos Manga, já adiantando que no meu quarto tinha uma moviola com o tamanho de umas 3 normais.
Passei por coisas inusitadas, como a Suzana Amaral rodando o filme "Uma vida em segredo". Será que a vida me reserva alguns estimulantes como estes, ainda?
Noite do desabafo ou sei lá o que é isto.

Teatro da Reitoria 20h00.

sábado, 3 de maio de 2014

Iracema 236ml


A selvática é um grupo de difícil digestão. E falar deles é quase um sacrilégio diante da falta de linearidade nos trabalhos. Eles são diferentes e sei que sou diferente deles. E procuram uma aproximação no diferente que atinge em cheio no teatro. Há um choque aniquilador de uma honestidade de mundo. Sempre um "país das maravilhas" se pluralizando. Abusam na imagens e não tem medo dela. Brincam com os sentidos visuais e com uma entrega abrupta que chega marcando. São capazes das maiores loucuras e isto não é só neste trabalho.

Iracema é sem dúvida o melhor trabalho deles, e olha que já assisti uns trocentos de uma continuidade insistente de obras de um enganchamento de grupo. Este ainda dá um embasamento linear por estar com o pano de fundo a literatura de nossas terras, se é que é nossa, e se for também dane-se. Faz uma crítica consciente de um consciente fragmentado destes que temos interiorizados e se tornando prática que no geral o humano faz pouco proveito. Nunca chega ao formal e sempre permanece no dinâmico e dinâmica do mundo. Revelam e tentam revelar o mundo como ele é e este é o ponto que mais me aproximo deles.

Este espetáculo é impressionante do começo ao fim e o grupo de envolvidos fazem dele uma entrega total. Grandes atores e um ganho com a incorporação do Bello que tem uma presença de palco inegável. Falar de um deles é até um pecado diante da grande atuação de todos eles. Cada um tem sua especificidade que sabem somar e a presença aflora sem perder no ganho da cena. Cada cena em quadros seguram com precisão muito pela entrega do trabalho e do grupo que acabam sempre juntos. Com certeza é um dos melhores trabalhos que assisti ultimamente e como é o ápice e "não tenho culpa da miséria humana" não garanto que possa repetir a grandiosidade deste trabalho. Quando se chega a este ponto todos tem que ver porque é onde a arte se manifesta na sua grandeza.

Poderia dizer que esta minha colocação estivesse na condição despretensiosa de Kant. E que o gostar não se relaciona com nenhuma forma de absorver como uma crítica. E é aqui que vejo algo que não deu certo na argumentação porque o trabalho instiga a reflexão. Não é uma destas reflexões das mais normais diante de um grupo que é o mais maluco que já vi. Lembrando que buscar referências neles é algo quase impossível mas lembra o teatro absurdo na forma de uma irracionalidade que acaba não sendo. Não tem nada de irracional sendo que ela tem um íntimo fragmentário honesto do nosso olhar que não é colocado na prática. Mas num momento de introspecção ela está lá bailando. E é esta honestidade percebida por eles é que faz toda a originalidade do trabalho deles. Sempre vejo como uma construção de uma biografia que a autora brinca de ser que passa como numa passarela neste mundo que não temos culpa pela miséria humana que nos foi imposta.

Eles estão no Teatro Novelas Curitibanas com entrada gratuita. Não prometo que vão gostar. Mas pode ter certeza que o trabalho deles sempre se repete nestas características e não vão mudar. Aceite que é melhor. A crítica da imprensa já percebeu isto e vem destacando eles então é uma boa hora.

http://guia.gazetadopovo.com.br/teatro/iracema-236ml/9022/1205/

sábado, 4 de maio de 2013

Banheiras de Arendt



O estado "representativo" vem se instaurando com um totalitarismo lutando com o humano nas suas características políticas. A divisão entre estado e pólis com seus agentes políticos se tornaram rivais. E muitas vezes pegando em armas como foi algum tempo atrás com um governo que colocou policiais para bater em estudantes. Não estou falando de uma legitimação da violência do estado em detrimento de uma violência contra o estado nas características do mal. E sim da vontade de se impor com força na política. Há uma hipocrisia quando se fala de um totalitarismo e de uma democracia. Já se sabe que o povo como força política perdeu suas características de representação e todas as ferramentas para se manterem num poder são usadas com subterfúgios estratégicos. Existe uma crise cada vez mais presente entre estado e o humano singular na sua condição política experimentando na pluralidade e a hegemonia inconsciente¹ aplacado com sua alienação das coisas mundanas. E voltando para os contratualistas, o estado já não garantem a nossa segurança diante da não violência e das condições de dignidades numa permanência social. E aqui fica uma condição presente com programática futura já engendrada de enclausuramento do ser de hoje. O cidadão já deixou de existir e lutamos para resgatar sem saber como ele se configura diante do discurso totalitário. Somos máquinas robôs tratados com insignificância e apedrejados por este estado de coisas num modismo tecnológico que não desfez a burocracia travada. Ao contrário, arrumaram mais um patrão para nos guiar. Estamos cada vez mais frustrados por nossa existência. Já era difícil de visualizarmos o que é nossa liberdade. Liberdade que é uma simples utopia de quem segue para a ágora. Estamos enjaulados em banheiras nadando no mar azul ou andando nos desertos de Arendt.  

¹ Com licença poética. 

domingo, 9 de dezembro de 2012

Mostra de Dramaturgia Sesi Teatro Guaíra





O mundo dá suas voltas e algumas coisas que poderiam mudar estão sobre o leito de uma pequena centelha de genialidade ou um esbarrão para que se torne um pouco melhor, ou pior.

Bertrand Russell foi um destes que sua presença incomodou. Mas sem ele aquilo que incomodou não apareceria com muita facilidade como o fato de Friedrich Frege ter parado de produzir com a mesma dinâmica após uma carta de Russell. Ou de Wittegenstein ter reclamado de uma introdução feita por Russell no seu livro. Nem tudo é feito numa ordem, o caos também faz parte.

Ontem por equivoco assisti uma trabalho teatral que se chama "Parido" da "Mostra de Dramaturgia Sesi Teatro Guaíra", numa vertente que se coloca como o teatro contemporâneo e o teatro do transumano que o esbelto vestido vermelho da Luciana Eastwood Romagnolli confirma na sua crítica ao texto "Nome Próprio" da Nana Rodrigues. Transumano é um nome bonito e glamouroso para dar a um teatro com palavras da Luciana. Mas, contemporâneo como um comentário que vi de um ator já é um valor de verdade falso.

Depois de ter assistido a peça é que fui saber que não estava assistindo a peça "Um Rosto que Espreme" que ficaria mais apropriado como "Uma Cabeça que Espreme" diante da ótica da mente. Eu assisti o "Parido" com uma sinopse que não tem nada haver com que meus pensamentos abstraíram. Como é uma peça de língua privada, já que tenho de me identificar pela minha proposta do olhar, nem me dei ao trabalho de absorver algum tipo de linearidade das palavras. Até percebi que tinha algo de rimas. De certa forma se percebe a ditadura da linguagem nesta pequena alteridade de posicionamento, como Barthes colocava. E o poder do discurso não se encerra aí. Se era para alcançar uma episteme, ficou difícil.
Uma sinopse num folheto bem produzida com logomarcas do Sesi, Teatro Guaíra, Governo do Paraná, British coucil que deve ser de uma língua anglo saxã, e a Lumem Fm. Que olhando de forma superficial chego a conclusão que o Roberto Alvim deve ter uma remuneração adequada para tal evento, acreditando ser ele o mentor. Uma sinopse que não tem nada haver com minhas conclusões sobre a peça. E alguns contatos com o pessoal do Roberto Alvim descobri que neste mato tem cachorro. No caso da Romagnolli, ela troca suas palavras pelo ganha pão. E no meu caso sou um cachorro demarcando territórios, e como não conheço os rostos e me dão as costas, acabo gravando um punhal sem piedade.

A peça "Parido" começa com uma atriz no corredor de entrada do teatro José Maria Santos se dirigindo a cada uma das pessoas que passa por ela dizendo para desligar o celular. E antes, do meio das cadeiras quando ela vai sentar, solta seu grito de "por favor, desliguem seus celulares". Com o detalhe do nariz empinado e com uma tarja na testa de uma atriz de grupinhos de Curitiba. Porque ela me olha com nojo e nem sei se ela me conhece. Deve ter tido algum contato comigo superficial que nem lembro de onde, só pode ser.

O inicio da peça é de uma escuridão profunda e um silêncio que vai sendo quebrado com a sonoplastia de um vento. Neste caso devo estar com um trauma de vento sendo que ontem estava no litoral e deu um temporal que arrancou o telhado da minha casa e dos vizinhos. Ali eu vi o vento e as curvas que ele faz no espaço, e os raios no meio a ele eram insignificantes com pequenas tarjas luminescentes a poucos metros. Logo de cara com referência a algumas citações bíblicas fui levado ao teatro românico da alta idade média. É claro que este teatro não existiu, inventei agora. Existiu as igrejas da época com o escuro do público e as luzes do altar direcionados para uma elevação. Uma direção que nem deve ter saído de casa de tão fácil que é dirigir uma monotonia de gestos. Vozes impactantes com a intensão de penetração pelos ouvidos e remexer com o íntimo, e só faltou o latim já que as palavras é o que menos importa. Um pequeno sino bem acústico foi tocado algumas vezes, e fiquei em dúvida se foi feito por um objeto ou o aparelho de som do teatro. É bem possível que alguém do público esteja visitando uma igreja do domingo no cotidiano medieval, hoje. Para quem buscou uma semântica diferenciada acabou transbordado evidências de "referência e sentidos". E juro que fiquei torcendo por um canto gregoriano. Um seminarista chegaria aos céus falando com os raios.

A palavra "contemporâneo" sai daqui já que isto me lembrou algo medieval. Se for pela linguística tão debatida em épocas do absurdo acaba sendo fora deste tempo linear. Quanto a vertente até acho que existe méritos por unir um grupo da classe artística, com seus narizes empinados. É que nem Russell, o melhor é ter do que não ter nada. A motivação de assistir uma peça desta para alguém que nem faz a mínima do que esta envolvido é de uma peça repetitiva no seu quadro. Teria de surgir deste meio alguém que comunicasse com muita precisão aquilo que esta proposto, e não com palavras, e sim com comunicação como dois mais dois é quatro ou cinco. E tudo faz parte como o vermelho desfilando palavras.

E para completar o texto, uma vez que assisti o Fractal no domingo. Foi a última apresentação da "Mostra". Procurei perceber aquilo que é a dicotomia estruturalista que carrega em Lévis-Strauss. E dentro desta mesma elaboração tem as matemáticas com a construção do tempo social do qual atuamos como observadores próprio daqueles cientistas que procuram criar suas teorias das ciências humanas. Uma distribuição sem se ater a diversidade individual diante da generalidade, e exterioridade bem formatada. Pressupondo um espelho, sendo que tudo já é mais complexo, do mecânico ao estatístico. Contemporâneo por esta linha também não é. O contemporâneo esta longe de ser definido.

Amém

carlos jansson