sexta-feira, 27 de março de 2015

Silêncio! de Renata Mizrahi



A Peça teatral Silêncio é uma obra despretensiosa num primeiro olhar. Difícil de aceitar que possa ser uma boa peça a ser assistida. Uma sinopse ingênua carregando até um lema religioso quando se passa numa comemoração de judeus. Até o primeiro momento sentado no público constatando o cenário pobre se tem a certeza de ter entrado numa roubada pela escolha da peça. Mas pode ter certeza que vai pagar pelo seu preconceito.

A peça começa e já é daquelas que te agarra nas primeiras ações com uma dramaturgia que acende o interesse do começo a fim da peça. Uma trama bem distribuída entre os atores sem ter um monopólio de um personagem. Os atores trabalham em função da dramaturgia sem excesso, sem vaidades dos profissionais. Um acerto de dramaturgia que brinca com o público e passa do humor ao contexto sério do texto numa facilidade arrebatadora. E o grande ganho é a pesquisa histórica da imigração como pano de fundo.

É claro que é uma peça com medalhões do teatro e da televisão brasileira. Mas o interessante que os personagens estão distribuídos com uma equivalência sem que estes monopolizem e com uma aparente generosidade de quem pode se sobressair num trabalho. Todos imbuídos no objetivo da dramaturgia. Uma dramaturgia feliz que carregou todos ao delírio das palmas. Parabéns Renata Mizrahi com seu texto. Parabéns a curadoria do festival de Teatro de Curitiba 2015 com seu "O Inesperado acontece aqui". Intuindo que foi a melhor apresentação deles.

Direção: Priscila Vidca e Renata Mizrahi
Elenco: Suzana Faini, Jitman Vibranovski, Karen Coelho, Verônica Reis, Alexandre Mofatti, Vicente Coelho e Gabriela Estevão.
Stand-in: Flávia Milioni, Léo Wainer e Zé Guilherme Guimarães.




domingo, 22 de março de 2015

Elis Regina e Chico Buarque e a depressão do Brasil.



Ultimamente se tem falado muito sobre a cantora sem realmente colocar o que era o seu tempo e fora de seu tempo. Não se fala da depressão da Elis Regina que já declarava que as coisas mudaram.
Um sentido óbvio é perceber as vendas dos discos em épocas da ditadura de um povo entorpecido. O Arena vivia seus melhores momentos e o Chico era aquele que se fez na ditadura. É um erro pensar o povo da época com consciência de ditatura. E tem gente falando que era o mundo e o fundo quando na verdade existia uma atmosfera pulsando Chico e Elis. Viver exilado na França também não era tão ruim. A França pagava salário para eles. Estou procurando um exílio deste nem que seja para viver na Pont Neuf.

Com o momento da transição da ditadura para a democracia as coisas já tinham mudado o seu discurso. E ficou evidente a transformação e a constatação da Elis Regina na sua volta. Ela mesma em declaração já falava de algo mudado. E mudou. Basta ver o Chico Buarque com todo o nome construído na época, se ele lançar um disco hoje com certeza não vai vender o tanto que venderia naquela época ou o sucesso no vulto de sua obra.
E a tese é que o entorpecimento não deixava ver o político na música. Enquanto na transição era discurso de novos momentos e aquela música já não dava conta da nova realidade. Elis já não era uma cantora e sim uma representante de um simbolo político, como o Chico também. Foram acordados do entorpecimento. E aconteceu a depressão da Elis Regina com a fatalidade e o envolvimento com a cocaína, e dá para aliar ao seu momento depressivo. Estou falando num âmbito popular e não é específico da política das gravadoras.

Acho estranho a forma que se referem a uma pessoa no passado mantendo só os feitos e sem se ater ao momento que ajuda a explicar os feitos. Existe sempre uma mentira no Brasil ganhando proporções oportunistas de um mundo prático sem o aprofundamento necessário.
É um grande erro falar que o povo combatia a ditadura. E estes falantes aí vendendo bem a democracia para serem os galos no galinheiro já se davam bem com a ditadura. 
Hoje a gente tem mais consciência política de que as coisas não vão bem e melhor. Só nestes primeiros 3 meses do ano de 2015 já foram mortos 40 pessoas com balas perdidas. Existiam problemas lá. E existem problemas hoje. Então nada mudou tanto assim para se achar que lá era o ruim e agora estamos muito bem. A transformação para melhor não vem desta dicotomia e as mudanças para melhor é quase um utopia. O mundo não é feliz.

E sinceramente, não gosto das músicas da Elis Regina. Mas gostaria de ver um povo consciente e respeitando a memória dela. O que eu vejo não é bom. Vivi lá e não gosto de mentiras. A quem serve tudo isto? Pode até ser alguém aproveitando a oportunidade de aprovar projetos de leis de incentivo para ganhar em cima da memória dela. Acredito até que achei os motivos agora. É hora de contar a história a maneira clássica isto porque o povo uma hora vai começar a desconfiar destas formas elogiosas quando sabem que a vida não é toda estrela. Outra coisa é falar tão mal do passado se o presente é uma decadência só. Têm gente que vai ficar com a pulga atrás da orelha.

O mesmo entorpecimento que faz os brasileiros amarem as músicas da cantora americana Rihanna, sem entenderem uma sequer palavras do que ela diz. 




quarta-feira, 18 de março de 2015

A Globo e seu sexo - Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg


A mídia geral usando e acredito ser uma foto de divulgação. 

Seria muito bom se as mulheres se beijassem mais na realidade. Precisam de novelas para se satisfazer. Tudo bem, elas gostam de novelas. Já saiu de moda o beijo do galã no final dos romances. E as pessoas precisam uma das outras por causa do sexo. Com isto a arte vai pelo ralo.

E a sexualidade segue uma evolução que daqui uns dias os pais estão pegando as filhas. Bom, isto já existia antes. Famílias se pegando, que segundo a antropologia foi o início de tudo. Uma evolução que segue um caminho se pensar na lógica sexual e a cada dia se chega a uma coisa nova na questão da liberalidade, e até mesmo a necessidade de audiência para chocar que levam novos hábitos, costumes culturais acomodado em leis para um novo tempo.
O Levis-Strauss fala que a mulher era objeto de troca no meio indígena entre as tribos para se manter a paz. Sinto uma certa beleza nisto pela paz. E na Inglaterra nos anos 1800 os homens levavam as mulheres com coleiras para vender nas praças. Olha o detalhe da data. Ai sim acho que evoluímos em tão pouco tempo para a emancipação da mulher que vem agarrando seu espaço. As leis que limitam o sexo deveriam cair. Que todo mundo fique livre para fazer as suas escolhas. Se não tivesse a Aids seria muito melhor.

Antes das roupas nós tínhamos um corpo. E o corpo deve prevalecer. O desejo tem sua própria dinâmica que não vale ficar ditando regras. Ultimamente tem mulheres correndo nas ruas, nas praças nuas. Quer coisa mais bonita que valorizar o corpo? O nascimento das crianças na natureza e a humanidade fazendo um culto ao natural. A mulher e sua natureza ainda é pouco valorizada devido os pudores e a ditadura do vestimento para esconder o corpo perante um ser errante aos olhos de deuses. A maça neste caso é a grande culpada ou talvez a caixa de Pandora. 

Um dos primeiros filmes que assisti foi o filme Império dos Sentidos. Na época foi muito polêmico. Hoje a evolução tecnológica tornou o acesso banalizado. Nem precisa dos corpos diante dos filmes tão elaborados e da Aids. As pessoas não se pegam mais com a qualidade que tinham. As pessoas se pegam mas já não tem a pegada de antes. Se preservam e não se responsabilizam por relações que começam e logo acabam. O mundo mudou e o sexo perdeu seu fetiche. Agora se faz de conta que se pegam. Mas não se pegam mais. O amor acabou diante das dificuldades deste mundo desgastante. Até a Globo não faz novelas como antes por não ter se reciclado na dramaturgia diante dos simulacros no movimento.

Na biografia de Tennessee Williams ele conta que não ficava um dia sem sexo. Ele saia na rua, na praça em qualquer lugar e nunca ficava sem um homem. As igrejas de 15 anos atrás a pauta principal era o pecado e as mulheres não podiam usar calças compridas. Existia um gosto no pecado. Mas a igreja mudou, a Aids influenciou comportamento, tecnologia de acesso diversificaram as vontades. E a Globo não se reciclou. Ela ainda é puxada pelo sexo, não que não deva existir. Mas tem que ser uma dramaturgia dinâmica e toda vez que carrega com intenção o povo percebe. Quem faz o teatro deveria saber que existe um inconsciente. Não adianta estes políticos polêmicos do sexo tentarem puxar a carruagem. E não adianta achar que o ator homo não tenha que encarar o personagem com a perspectiva histórica e tradicional. Muitas vezes pego alguns atores que envolve o seu mundo em cena. E o que fazer num caso deste? Claro que muitos dos atores assumem o papel tradicional e que tal ação não é bem um teatro, mas não deixa de ser uma representação. Mas como ser evolutivo no teatro com os gestos sexuais. Considero que a dramaturgia com sexo hoje não é contemporânea e podendo nem ser arte. Mas que se beijem e que se iludam. Comigo os tempos estão para o não sexo enquanto alguns acham que o norte é o sexo. O simulacro atual não permite tal manutenção da natureza tradicional. Neste texto a natureza tem um sentido de esvaziamento diante da complexidade.

sábado, 31 de janeiro de 2015

Festival de Teatro de Curitiba 2015



Mais um Festival de Teatro de Curitiba na sua 25ª edição de 24 de março a 5 de abril de 2015. 
Um momento significativo para o turismo cultural de Curitiba. Evento que representa o coração das produções das cênicas do Brasil. Um evento que é produzido com leis de incentivos de impostos que é um bem público. Abraçar o festival é abraçar Curitiba e o teatro. 

São centenas de grupos de todo o Brasil e internacional participando numa comunidade de artistas se integrando numa energia viva no fazer teatro. Cada um deve perceber que Curitiba também pulsa a sua natureza propiciando contemplações, como os parques por toda a cidade. Como sugestão deixo o parque Tanguá próximo ao Teatro do Arame. Com certeza será uma experiência inesquecível.

Só peço que não divulguem o sistema de transporte de Curitiba como o melhor do mundo. O melhor transporte é aquele que não tem motores poluindo as cidades. A promessa de um Metrô em Curitiba não sai do papel por campanhas de empresários do setor dos transportes que não deixam este investimento acontecer. E qualquer propaganda sobre os latões vermelhos superlotados de gente batendo ruelas pelas ruas no sentido de acompanhar a propaganda enganosa promovida pelos empresários e políticos acaba sendo prejudicial ao Curitibano. Quem sofre são as famílias no seu cotidiano que precisam do transporte de massa. 

Teatro Ópera do Arame

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Alienação Teatral



Lendo as loucuras de Foucault me deparei com uma citação óbvia para os nossos dias: "denominados doenças mentais. Deste modo, as medicinas mentais funcionariam de maneira a justificar a exclusão daqueles que não são reconhecidos no mundo das relações humanas por não se adaptarem a alienação presente no momento histórico que vivemos."

Caramba gente. O louco aqui não é aquele que pensa diferente e sim aqueles que pensam iguais. Nietzsche já falava que eram ovelhas, portanto idiotas.
 
Algumas coisas que geram a hipocrisia é não perceber o processo histórico. Geralmente no Brasil se coloca que o passado é diferente do presente quando na verdade estamos num processo histórico. 
Quem lembra das promessas de eleições? Mudou alguma coisa? Impostos subindo com 33% de aumento de salário dos 3 poderes e 9% do salário mínimo para o resto. 

No distanciamento de Brecht isto é sagrado. Um exemplo disto é a guerra religiosa tido como se fosse lá no descobrimento do Brasil na expulsão dos mouros da Europa, quando estamos em plena guerra cristã-mulçumana. É exatamente isto que ele está falando. Estamos no processo histórico dialético. E tem que ter transformação e estranhamento que é a diferença do comum nos palcos.

No teatro eu vejo muitos vermes culturais cultuando nada de transformações. Preferem colocar uma guitarra dos anos 60 Woodstock no melhor estilo de vida americana acompanhado com um All Star bebendo whisky e andando de skate. Nada contra os butequeiros bebendo umas no conforto do seu All Star popularizado, como eu. Só que usar isto é mídia fascista de propaganda americana. A introdução de uma cultura de massa americana rasa, fedendo como já perceberam. Vendem o podre nos palcos como sobremesa só para agradar um estilo moderninho juvenil. Vermes culturais. E isto não satisfaz o ator que quer teatro e ação no seu trabalho.

Podem achar que ninguém está percebendo o que estão fazendo. Todos alienados, inclusive quem está fazendo pode não perceber o prejuízo na causa. Teatro de péssima qualidade.

domingo, 30 de novembro de 2014

Paula Braun casada com Roberto Bolaños, o Chaves.



Aproveitando a onda de falação sobre a morte do Roberto Bolaños, o Chaves. Alguns resolveram penetrar neste mundo dentro daquele mundinho que não chega a nada. Algumas coisas não ficaram bem claras e foi proposital porque este mundinho é ignorante mesmo. E tendo a condição do Chaves com o sucesso na América latina isto acaba ganhando uma ênfase da ignorância.

A Paula Braun, mulher do Mateus Solano fez um comentário sobre a morte do Roberto Bolaños no Twitter e logo apareceram os comentários de que ela estava usando a imagem do Mateus para aparecer. A Braun não tem o direito de se manifestar sendo casada com um nobre das novelas da Globo? O que mostra o tamanho do preconceito contra as mulheres que dizem não ter. Santa ignorância. Por que fez um personagem tendencioso agora é considerado o melhor ator do mundo. E qualidade no meio artístico não combina com umas coisas destas.

E combinando com este mundinho de novelas e seriados televisivos vem o outro mundo do Roberto Bolaños entre as brigas da sua equipe de trabalho na busca do reconhecimento pelo feito. Todos atrás do santo Graal. Só que o santo Graal não é de nenhum deles. E isto é estranho. Não se falou do verdadeiro personagem do Chaves que é o filósofo Diógenes da escola Cínica das épocas de Jesus Cristo. O Diógenes vivia num barril rodeado com seus amigos cães. Ele não queria ter propriedades, tanto que nem roupas tinha. Uma certa feita o Alexandre, O Grande fez uma visita ao filósofo diante da constatação do seu carisma, e chegando a cavalo perguntou a ele se poderia fazer alguma coisa por Diógenes. E Diógenes simplesmente pediu para Alexandre sair da frente do sol que ele estava fazendo sombra.

O que tem de estranho nisto é o Bolaños nunca fazer referência de onde veio este personagem que fez dele alguém muito rico e com disputa de reconhecimentos. Este silêncio pode ter sido para não ter um problema com a religião, por exemplo, já que muitos dos fãs do seriado adotam a religião com afinco. E a escola cínica vai por vias contrárias. Se têm uma religião, e não sabem que cultuam uma religião pagã e um modo não civilizado de ser. E o interessante é que ninguém fala sobre isto e ninguém deve saber sobre isto. Está vida prática é de uma ignorância irremediável.

sábado, 8 de novembro de 2014

Hércules e os políticos.



Hércules, um corpo bíblico na luta das cidades, nas suas façanhas dotado de um estética era o mais forte já existente. E nele se impuseram uma cegueira. Viveu na cegueira até restabelecer a visão e rompeu com a cegueira.
Um político no mais amplo dos seus poderes que não lhes confere um vitalício* deveria ser explorado o restabelecimento no momento que a imposição já não se faz presente. É nele que a visão ampla do ser político e suas entranhas são visíveis. Não exploramos o político nos seus limites. Muitas vezes a sua biografia trás um romantismo com uma realidade plástica de sua função no mundo prático. Mas o final deveria ser de uma revelação. Desde aqueles que tiveram seus poderes abruptamente retirados até aqueles numa sequencias no seu final de uma insignificância. E no rompimento da civilidade no mapa do poder nas suas entranhas. Um corpo irrisório na voz de um megafone.

Pierre Clastres descobriu que o homem sul americano no seu ahistórico desenvolvia um procedimento do político que era esvaziar o político. Isto porque índio na liderança tinha que ser generoso e outras virtudes até o limite que seu poder político se esvaziava. E isto de forma direta. Como por exemplo uns tempos atrás que os políticos davam bonés e camisetas e teriam que dar suas propriedades.

Existe um político que não é pensado e talvez seja ele nos moldes americanos ou num inconsciente de Hércules a solução desta política democrática caótica. Está seria uma saúde em Nietzsche.

* Vitalício não no sentido das gestões num poder público e sim no seu poder na manutenção de suas forças de influências e lideranças contando com a irregularidade e busca de se manter no poder.