quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Consciência e inconsciência



Tem umas coisas que acontecem no dia a dia impregnados de consciência estragada. São repetições para uma conduta insistindo em um costume justificando uma lei. E no campo político isto fica martelando para a manutenção do campo político como se a consciência não tivesse aceitado ela e precisa ser lembrada. Que saco. Não fume, porque fumar causa câncer no coração.
Se sabe que a consciência é pobre e a prática o termo por si só se define. Experimentar é útil e saudável. Mas não está transbordando num universo preenchido que nela se encontra todas as sublimações e genialidades. Nela a psicologia mergulhou e nascem os monstros e as contemplações.
Acho que sou um bom professor diante de uma caminhada alimentando esta faceta, mesmo estabelecendo uma cobrança no consciente. Dou muito mais que o óbvio cobrando o óbvio. Claro que tentando resgatar o inconsciente que insiste em ficar anônimo. Sacanagem isto, ia facilitar um monte nossa vida. Já pensou alguém no teatro não conseguindo enxergar ela? Primeiro vão ter que enxergar a subjetividade Kantiana e a partir dela construir um conhecimento, acho.
O Alexandre Nero nesta semana deu toda a pinta que não chegou lá num comentário sobre o improviso. E falou do preparador de atores dele falando sobre o improviso que pelo jeito é só um preparador para alguma coisa. É, coisa já é alguma coisa.
Este jogo na dualidade se degladiando pensando agora que pode ser o Dionísio e o Apolo. E pode ser outras tantas coisas porque o mar é infinito. Putz, tá chovendo. O meu humor não deve estar bem.

Pontal do Sul e Ilha do Mel


terça-feira, 25 de agosto de 2015

A exaustão do mundo



É engraçado que ninguém consegue dimensionar o instante cosmológico de nossa era. O espírito burguês cansou com o discurso político moralista cometendo muitos erros. Não estou falando do homem rico de propriedades que se convencionou como burguês. A política nas cidades travou e sua dinâmica não chega nas gens. Aos vencedores as batatas porque se descobriu que o outro lado era o vencedor. 

Palmira destruída iniciada com os saques dos museus do Iraque é o grande efeito de uma civilização em decadência. Milhões de torres gêmeas caindo com a resposta dos Árabes diante desta nova cruzada. O povo no ocidente na sua passividade momentânea pode desencadear uma grande revolução na busca da origem inicial. Isto não é difícil de prever diante dos acontecimentos e aquela ânsia visível de concerto do mundo. O ciclo vem se fechando e nele sempre é possível enxergar os próximos eventos. Por exemplo, se não fosse a ciência com certeza teríamos uma nova peste negra com uma enorme matança. A matança já existe e até genocídio de crianças numa humanidade míope que não vê o que fez. 

Eu não tenho filhos então eu não tenho do que me preocupar. Aos vencedores as batatas. Quem brinca com a natureza pensando que ela não se manifesta pode descobrir tarde demais que o homem não é nada. 


Gaivotas de Pontal do Sul


terça-feira, 4 de agosto de 2015

Verdades Secretas - O mundo das modelos



Uma das coisas que posso dizer que vivi e de certa forma estive no centro das atenções da atividade de modelos. Através de amigos fui me introduzindo no meio mesmo não sendo modelo. Pelo contrário, sempre me achei um feio. Mas de certa forma me sentia muito a vontade no meio e acabava entrando cada vez mais no grande círculo das belezas. 

Uma coisa é certa, o meio é fatal. A beleza embriaga e a relações chegam aos extremos. Mas não tem como não ser diferente quando se percebe que seu mundo é o berço esplêndido. A sexualidade bate a porta dos limites.

Penso que eu era ingênuo mas sortudo. Minha casa já teve as mulheres mais bonitas de Curitiba. Meus trabalhos era com dezenas de mulheres. E através deste viés descobri a arte. Eu não queria só isto e através de um curso de cinema acabei me desviando desta linha. Fui trabalhar com televisão e depois o teatro. Mas sempre estou de olho no que acontece no mercado. 

O mercado sempre girou da mesma forma, com as promessas. Muitos gastam dinheiros em ilusões que espertinhos no mercado se aproveitam. São as agências tidas como grandes que não passam de armadilhas para tirar dinheiro através dos seus books, um ou dois trabalhos e depois mais nada. Não tem tanta gente bonita e com perfil a ponto de investir um financeiro que dê resultado. Os bons não precisam disto. 

Quem são os bons? Os bons são aqueles que conseguem ter a sua volta o que tem de melhor e nem sempre estão afoitos. As coisas acontecem isto porque a aura é de poder. Nada do que as agências colocam é do jeito que se vê. O poder corre solto como parte das Verdades Secretas num jogo avassalador. Mas aquele que carrega as mulheres bonitas nem sempre estão atrelados as agências do jeito que pintam. Chequei a este ponto nos meus trabalhos com misses Curitiba, Paraná e aquelas que poderiam ser miss mundo, que precisa além da beleza muito dinheiro para investir.

Vejo os acontecimentos e as vezes fico perguntando quem sonha mais se é quem compra ou quem vende o sonho. Um sonho lindo bom de se sonhar já que a realidade crua as vezes não vale a pena. Investir na beleza é uma forma de emoldurar o mundo estético dos gostos. Isto também me fascina. É uma energia que brota no interior que faz o mundo vibrar. Mas agora eu faço teatro e é algo que me preenche de realizações num paralelo ao estético. É claro que um é efêmero e o outro é justificativa filosófica de ser intrínseco um no outro.  Espero que um dia elas me descubram de novo e a trajetória retorne. Sou bom nisto e com trabalhos que consigo com facilidade. 

Angélica que tinha acabado de ganhar um carro no concurso de Miss Curitiba. 


segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Disciplina Teatral - Atores



Durante o tempo que venho tendo uma convivência com atores sempre tive algumas diferenças que me mortificavam. Não entendia as razões de tais procedimentos e muitas vezes achava estar fazendo algo de errado no processo. Claro que não isento uma maior atuação que possa fazer uma situação se tornar favorável. E muitas vezes já venho pensando antecipadamente as ações visando sanar a diferença já visualizado no evento num futuro-presente. 
Embora não muito discutido a relação ator e sua atividade sempre foram lembrados em lampejos de textos críticos. Franklin de Matos por exemplo tem uma pesquisa dos atores no teatro iluminista com um olhar de Diderot.

No geral temos um olhar diferenciado aos artistas que vivem mais ou menos aquilo que é conhecido de uma criada gozar o primeiro filósofo ocidental, o Tales de Mileto, por ficar olhando para cima e esquecer o buraco no chão e cair. O artista no geral é um visionário contemplativo do tipo que faz das relações um devir intuitivo não se pautando a regras rígidas estabelecido de controle. 
Eles estão errados? Mas de jeito nenhum. Isto é a beleza do processo de entrega a sua arte e a ferramenta de produção. Tem mais que ficar solto e gozando a vida estética no seu melhor brilho. 

Existe porém um detalhe que se procura com o amadurecimento e a tentativa que as coisas ganham mais consistência na realização que é o profissionalismo. Mas não é só o detalhe de pegar um registro como o Drt. E sim um orgasmo consciente de grupo e de liderança nos propósito estabelecidos para que eles ganhem glória. O princípio de união de grupo e de equipe num trabalho é uma arma para que o trabalho como um todo pulse vibrações que venham ser captados por um público. Um público que não aplaude só com as palmas e a ovação, como também na estrutura do orgânico do grupo. Um exemplo disto é o operador de luz atrás do pano e uma pré produção do espetáculo, e em todas as etapas. 

Foto em Pontal do Sul em 2009 
Sempre vejo o ator como um displicente que não se interessa por nada a não ser aquilo que ele faz e vai fazer. E aí mora o perigo sendo que um diretor não vê o ator por aquilo que ele representa no palco, apenas. Hoje diante desta "falha trágica" muitas coisas estão sobre a mesa. O diretor conta com o ator como um membro importante na sua estrutura num dinamizador de potências. Me arrisco a dizer que a qualidade do ator já não é na sua capacidade no palco e sim como ele se relaciona com o mundo. Atrás da característica que ele cria dos personagens do palco tem o dele de uma generosidade tanto no palco como na convivência potencializadora ampliada além palco que carregam a energia alimentando a ação no seu todo.  

É louvável e desejado o ator que tenha a displicência e que não se apegue a morais enraizadas nas hipocrisias no modo de viver. Que ele brinque com a vida e ele rompa com as leis estabelecidas. Mas que acrescente a isto o respeito por aqueles a sua volta num gesto de generosidade como o combustível que vai fazer rodar o carro. Que seja um espírito livre que geralmente é o impulsionador destes artistas. E buscando um absoluto como obra que vibra nas salas de espetáculos. Claro, não tenho muito o que reclamar porque já estou escolado. E conto com aqueles que moldei ou vieram e fazem parte da minha casa. 




quinta-feira, 30 de julho de 2015

Homem Moderno



No passado o homem submisso vivia as voltas de um poder manipulador dos seus senhores. No Paraná por exemplo, as pessoas procuravam agrupamentos de casas como referência de interação diante do vasto mundo florestal. Os polacos faziam associações para terem suas festas e organizar a educação dos filhos. Ao contrário de hoje com muitas pessoas buscando se isolar diante da convulsão que se tornou as cidades com seus engarrafamentos cotidianos. 

Na didática teórica se fala muito do novo homem moderno que conseguiu sua subjetividade consciente. Ele é atuante no mundo por sua vontade. O desejo das coisas do mundo como as novas tecnologias para o conforto. Mas será que isto é uma realidade hoje? Será que os teatros devem espelhar isto? 

Vieram novos teóricos começando a perceber algumas transformações no ideal Kantiano de uma descoberta da ciências. Juntos vieram as questões sociais de Marx, o poder e o rompimento do homem em Nietzsche e uma profundidade aflorando na memória com o Frued. 
Só que as coisas andam mais depressa mesmo algumas coisas permanecendo como o ruído das guerras intrínseca do homem. Aquilo que falaram que se perdeu na ultima guerra mundial continua firme e forte com a totalidariedade das massas. Sistemas, corporações e governos estabelecem aquilo que é a vontade do seu cidadão, não propriamente satisfazendo este cidadão. São regra de horários e homens correndo para suas atividades remuneradas. Seus gostos massificados. 

A poética ganha novos contornos de uma arte contemporânea que neste sentido satisfaz. Não que seja a da liberdade e da felicidade. Isto é tão inexorável quanto a existência. 


quarta-feira, 29 de julho de 2015

Teatro do Bem e do Mau



Se condiciona hoje em dia que não se deve ter o maniqueísmo na ordem destes tempos modernos. Isto como se fosse possível já que ele tem uma dimensão em camadas. Claro que não somos tão violentos assim aparentemente. Só que se refletir melhor vai aparecer que ainda somos medievais. 

Nas tragédias gregas a maldade não era condicionada ao herói e sim as circunstâncias, ao acaso. Toda a maldade tinha como justificativa a fatalidade. Em Medéia ela matou os filhos e o Édipo matou o pai que levou a condição das circunstâncias para tal. Até Frued concorda com isto. 
Mas com a entrada do cristianismo o trágico ganha outros propósitos que é a culpa e o crime. A culpa de Eva e todos os pecados do mundo. Quando você comete um crime não tem a sensação do crime e sim do pecado dos olhos daqueles que vão te cobrar e te castigar. Isto justifica o mando de um ser superior no castigo podendo até matar. Não há uma separação entre o pecado e a culpa pelo feito, hoje.  

Hoje em dia se criminaliza por ter um sujeito que praticou um pecado. Já coloco pecado porque é dentro desta dimensão que se pensa o ser humano errante. Ele é capaz da maldade e o confinamento é consequência. Já é conhecida a história de pessoas que roubam porque estão com fome e pegam vários anos de prisão. As cadeias estão cheias devido existência de muitos crimes. Mas a justiça não era para ser moderna e contemporânea? Quando Thomas Hobbes escreveu que o homem era um lobo ele vinha de um pensamento de um trágico medieval. Alguma coisa mudou num aspecto geral? 

Na história do ensino médio tem um momento das cruzadas religiosas de um episódio de uma igreja cheia de mortos e muito sangue. Mas o que falar que hoje a matança de árabes tem muito mais sangue? A justificativa é porque os Árabes são radicais. Mas a história não vai dar a dimensão deste radicalismo religiosos porque do outro lado também vai ser o radicalismo pelo enfrentamento. Será que daqui 1.000 anos esta mesma história vai ter uma outra cara e se apagar da memória? Existe uma camada adormecida que não deixa ver o terror que é nosso tempo. São muitos homens morrendo com tecnologias de armas sofisticadas e são muitos homens em verdadeiras populações de presidiários. A nossa tragédia é medieval e utópica contemporânea para uns noiados. Deve existir tantas igrejas quanto escolas com a igreja numa camada invisível imperando nos seus costumes. Tudo que é bom é moral. O que não for moral é sujeito ao castigo. E assim eram os medievais. 

Medeia Escola Macunaima Festival de Teatro de Curitiba


Dramaturgia Trágica



Escrever é um processo interessante de apropriação. Se coloca em letras as ações sem imaginar quem vai assumir o papel. E neste caso fica o detalhe de não estabelecer muitas rubricas no sentido de uma direção na ação dentro do texto. A ação deve estar na sua integridade para que o ator possa com ele ter mais liberdade de caracterização. E a experiência é inusitada quando percebe o ator atuando o texto e compreendendo que se ele tivesse que escrever para aquele ator do jeito que representou seria impossível escrever. Principalmente uma atuação magistral que ultrapassa o texto na sua criatividade. 

O Aristóteles adota o "erro trágico", "erro involuntário" harmartia como um acidente no percurso que chama a atenção. Todos buscam um equilíbrio e com uma profundidade de equilíbrio como as faculdades em Kant. Estabelecido as camadas como razão, intuição, entendimento, sensibilidade e outras que um ser racional e lógico absorve é incompreensível quando algo acontece sem o seu controle. O humano grego já tinha a racionalidade e achava um absurdo descobrir que as vezes a natureza das coisas o surpreendia. Continua surpreendendo quando algo de absurdo acontece e as pessoas ficam fascinadas pelo resultado do evento. Talvez a palavra evento ganhe uma conotação com os acidentes do percurso. Temos uma atração desmedida no conhecimento destes acidentes que revelam comentários interessados e longas conversas sobre o acontecido tentando prever as possibilidades. É neste eixo que o Aristóteles coloca que existe uma purgação nos acidentes que se aprende a evitar ou copiar. Principalmente evitar por ser algo como um erro que leva ao sofrimento no clássico. No moderno já se insere na experimentação que leva ao acerto e o refinamento e ao conteudismo. 

O que eu acho engraçado é as pessoas acharem que superaram Aristóteles sendo que o trágico é inevitável. Ele é a maior atração do ser humano diante desta arte. Uma dramaturgia que possa fazer algo com um acidente ou uma alteridade vai ser aceita em qualquer tempo. É uma arte natural destas que alguns ficam tentando estabelecer algo como ciência natural. E pensando bem se tirar o tecnológico do pedestal e generalizar para a sensibilidade comum pode ser até uma ciência. O mistério no novo dos erros impressionando.