domingo, 10 de janeiro de 2010

Gazeta do Povo

Curitiba têm daqueles dias cinzas de domingo que leva o leitor ao seu refúgio caseiro. Após o almoço vem a vontade de ler um jornal comprado no armazém ao lado de casa. Tudo isto é comum a uma grande parte de Curitibanos que querem entrar em sintonia com coisas novas que possam estar acontecendo e saber um pouco mais sobre as mudanças no cotidiano da cidade. Tão básico e tão difícil para um jornal perceber as vontades de seus leitores.

Chegando na mercearia já tem a vista em cima do balcão um calhamaço que faz lembrar que vai passar a tarde toda lendo coisas interessantes de se saber. Um valor diferenciado da semana, proporcional ao volume e peso da quantidade de papel.
Ao sair do
armazém já acontece o inconveniente de cair um almanaque amarelo de propagandas no asfalto molhado das Casas Pernambucanas com o título “Hoje eu Quero”.

Umas das primeiras coisas é iniciar a leitura no banheiro que logo de cara da de encontro com a capa do Viver Bem com uma garota sentada em um
banquinho que lembra o meu trono. E aquela expectativa de não conseguir ler nem o começo do jornal antes de chegar no papel higiênico. E aqui foi meu engano e frustração de uma leitura na tarde de domingo de Curitiba. E como não vou ler vou escrever a minha sensação dos caminhos do jornalismo contemporâneos. Porque isto não é novo atualmente. Não há nada que chame a atenção para uma leitura. É claro que respeitando a diversidade e sabendo que muitos até acham alguma motivação.

É visível a superficialidade de coisas que nem são novas.
É como no outro lado as pessoas não soubessem utilizar as peripécias e a abrangência dos assuntos para tornar catártico e dar uma substância em forma de essência absoluta ao jornal ao ponto do leitor pegar o calhamaço e perceber que ele foi proveitoso. Será que sou eu que me intelectualizei demais num mundo que nos surpreendemos com tanta gente parecida em conhecimentos apesar da diversidade? Sugere que a impresa esta perdida neste emaranhado entre a superficialidade contagiante com a diversidade frustrante, e nele não sabem o que fazer para chamar a atenção. Se é o caso de chamar a atenção, porque senti uma falta de compromisso em proporcionar uma boa leitura.

De um modo geral a impresa esta em crise. Os
layout estão forçadamente políticas na concepção de agradar aqueles mais próximos ou radicalizam por outro lado colocando fotos e artigos banais e plásticos. Não tem uma caracteristica própria personalizada. Basta abrir e já encontra milhões de propagandas que dão a dimensão dos lucros de um jornal que acaba sendo caro se pensar que não ganham só os R$3,50 do leitor.
As matérias vão desde os interesses
paulistas, cariocas e até mesmo da cultura italiana com Fellini no Caderno G. Nada contra o Fellini com sua obra, mas será que não dá para virar o disco? Tudo é muito repetitivo quando não americanizado.
A foto de capa do Caderno dos Automóveis tem uma grande moto destas que nem 1% do total de
Curitiba vai ter um dia, quem dirá a porcentagem de leitor do jornal. Qual é a verdadeira intenção da foto de capa? Por aí dá para perceber que o jornal não é bem intencionado com seus leitores. Querem passar algo de frustração para aqueles que olham e percebem que não vão chegar no paraíso. Nem vou comentar a foto do Caderno dos Imóveis, que no geral só têm conteúdo Curitibano no jornal nestes dois cadernos porque é onde o povo quer vender ou alugar e assim os endereços são em Curitiba. Porque o resto é só banalidades de cotidianos a mais de 100 kilômentros que não interessa ou porque é a tendência do jornal fugir da realidade de sua região para não se enquadrar numa inferioridade de que lá fora acontece e aqui não, então vamos falar lá de fora porque eles são mais interessantes. Estou falando alguma mentira?


Louis
Armstrong não tem lado B? Quando a gente escuta muito o lado A começa a gostar do lado B também. Não tem lado B?





As notícias do mundo já foram vistas de forma mais interessantes em outros canais de notícias. Não se define nem entre direita direito e nem esquerda e nem coisa nenhuma. Falar de mulheres que não são pegas em Bafômetro talvez seja a grande matéria, com a polêmica nas diferenças de sexos e das leis como um jornal educador. Só que não falavam antes. Os filhos já não podem acompanhar os pais nos bares, como se os pais não tivessem a responsabilidade e nisto vai acabar em uma lei ditatorial com deputados de má reputação fazendo as leis. Será que o jornal não percebeu que tem aliados que transfere a pouca credibilidade para os jornais. Até uma tabelinha de deputados foi confeccionado para priveligiar uns e denegrir outros. Coisa do poder mesmo, mostrando as intenções do jornal e quem ele esta servindo. Isto é muito baixo para um jornal que quer se considerar de alto nível.

Este foi um texto com a
caracteristica leitmotiv com um final mais acelerado num impulso diante das lembranças de minha frustração a cada caderno do jornal, e assim, ao estar escrevendo elas ficam mais evidentes. Vou ficar por aqui e com uma posterior correção porque também não quero ficar lembrando de algo que é quase inútil.
Um bom domingo para vocês.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Dossiê Fernando Henrique.

Quem não se lembra de um possível dossiê do Fernando Henrique quando era presidente? Esta certo que se falava num suposto dinheiro no exterior. E hoje sabemos um pouco mais sobre o assunto diante do fato da segunda família do Ex-presidente. De uma família que estava no exterior.

Imaginem o custo para abafar o caso. Custo que levou o PT a se apossar do poder no Brasil. Pode não ter sido o principal degrau desta escalada. Mas ela foi com certeza uma moeda de troca. Não é atoa que o PSDB está tão minguado.

Como o Brasileiro é ingênuo neste negócio de eleições, com certeza já esta pensando que não vai acontecer nada na próxima gestão. E a imprensa esta toda calada com notícias de deslizamentos e tragédias urbanas de forma insistente. Mas os boatos que correm no meio das informações é que ele será tão pior como os gatos do passado.

E não se enganem com a imprensa, principalmente de São Paulo, que já foi responsável por massacres na Revolução de 32 quando soldados tinham notícias otimístas enquanto estavam sendo massacrados, e avançando. Foram dois mil soldados que tiveram a ilusão de estarem vencendo quando estavam sendo mortos.

As meras desistências do jogo político atual não são por avaliação do que será melhor para o Brasil, e sim, para evitar um pertubador retrato de algo contraditório no alto escalão. E mesmo assim a raposa quer permanecer por lá. Se isto acontecer o Brasil vai ser um dos piores espíritos políticos de uma fragilidade tão grande que será melhor morar na África onde a dignidade vai se sobressair. A moral política já está degradada e se acontecer vai se tornar tão frágil que qualquer um vai chegar por aqui e determinar como as coisas serão.

O bom de ser um artista sem projetos aprovados por enquanto (que são escassos porque no geral eles se enquadram em escolhas políticas e com seus donos) e vendo as atrocidades sobra tempo para refletir e viabilizar os meios de mostrar as máscaras que no geral não são vistas. E no meio jornalístico os boatos e os episódios ventilam. É claro que com uma imprensa que não diz tudo pelas razões de um sempre maior poder que determina conforme o montante em questão.

Qual a razão de ninguém falar sobre a antiga polêmica que povou os jornais da época sobre o suposto dossiê do Fernando Henrique? Agora não é mais o Fernando Henrique, mas as razões do silêncio de quem esteve por trás e está.

E vocês mulheres, porque será que a Dona Ruth Cardoso morreu do jeito que morreu? Será que eles não têm consciência de suas atrocidades? Tudo vai ficar em silêncio? Que preço está mulher pagou para viver ao lado de um presidente atolado e negociando um escândalo? Infelizmente é este o nosso Brasil.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009


Peça do Obragem


As vezes a gente se surpreende quando acha que ninguém esta vendo e ninguém vai falar nada ou fingem não estarem vendo. E de repente de onde menos se espera acontece a surpresa.


A gazeta do povo do caderno G do dia 30 de Dezembro de 2009, faz algumas referências sobre uns espetáculos pratas da casa. Até ai tudo bem, a costumeira puxação de saco. Só que de repente a jornalista Luciana Romagnolli finaliza seu artigo com o um comentário inusitado: "O Inventário de Nada Benjamin, da Cia Obragem, foi pouco vista, talvez pela dispersão das plateias geradas pela epidemia de gripe".



Foi um pouco generosa com a crítica, sendo que a epidemia foi em épocas quase diferenciadas, só unindo por uma fração de tempo. E o "talvez pela dispersão das plateias" tem algo de humor em evidência. E não é porque a Aids existiu que as pessoas deixaram de fazer sexo. Porque tem algumas mulheres que valem um caixão.


O que é uma pena porque um grupo que tem uma estrutura de captação dos recursos de incentivo tinha de ter um respaldo de público para justificar a sua produção. Mas, isto já é outras muletas. Levando em conta que é o resultado artístico que interessa, e não é porque esta sendo bancado pelo governo que tem de se submeter a ele.



Cheguei a ir na peça e não assisti. Isto porque ele se enquadra no atual sistema dos grupos nos procedimentos de captações de recursos do governo que transfere sua bilheteria para os pobres, através da troca do ingresso por uma lata de leite.


Tenho até uma história engraçada com este critério das latas de leite para garantir a manutenção e procriação de criancinhas que precisam ser amamentadas. Com uma mãe que ficava na porta de uma farmácia pedindo uma lata para seu filho nos seus braços. E fui um dos sorteados tendo contribuído sem perceber nada de errado. E ela com a conivência dos farmacêuticos que estavam lucrando com aquela mãe que fazia teatro muito melhor do que muitas atrizes por aí.



Mas no caso da peça não foi possível contribuir com a lata de leite, isto porque não consegui achar um local onde pudesse comprar uma lata naquelas horas em inicio de noite. E infelizmente nem pude conferir o resultado destes artistas, que por alguma razão na disposição jornalística não houve uma crítica de resultados. Talvez deve ser porque estavam preocupados em fazer matérias sobre a epidemia de gripe. Ou talvez porque o jornalista tem que se preocupar com as causas assistencialista em épocas de um governo da pobreza. Que antes de assistir uma peça deve se preocupar com a comida dos pobres. E infelizmente muitas mães vão ficar sem fazer o mingal de leite em pó para seus filhos se depender das ditas peças do pó de leite, porque o público não compareceu.
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segunda-feira, 28 de dezembro de 2009


Política Alienante e Mentirosa

Morei durante alguns anos em Minas Gerais no Triângulo Mineiro, na cidade de Uberlândia. E tenho a notícia que a cidade ganhou o prêmio de melhor transporte público do Brasil. Este prêmio em função deles terem feitos uma passarela de 7 kilometros como os 500 kilomentros de Curitiba, onde tem uma espécie de tubos. Detalhe: não tem acesso para deficientes onde permanece aquela rampa no próprio ônibus onde sua maioria não tem tal equipamento. Uns dias após inaugurado tal rua deu uma enchente e alagou tudo, isto porque fizeram baixo demais. O ônibus em Curitiba e Uberlândia é R$2,20 e super lotado. Com a diferença que no domingo o ônibus custa R$1,00 em Curitiba para incentivar o turismo e melhorando a qualidade do Curitibano que pode ir para os parques e assistir eventos. Uberlândia não tem isto.

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Em Curitiba o prefeito Beto Richa ganhou como o melhor prefeito do Brasil. Enquanto os ônibus não aparecem nos pontos com média de 100 pessoas esperando. E quando chega o povo se amontoa com uns 60 pessoas dentro de um ligeirinho. A falta de dignidade do cidadão é visivelmente desrespeitada. Para uma viajem de um bairro até o centro onde um ônibus arrecada R$132,00 com a passagem à R$2,20 por pessoa em 10 kilometros é muito mais lucrativo do que um motorista de táxi arrecada. Coloca 300% a mais sendo que um ônibus economiza muito mais por ser diesel. Para onde está indo este dinheiro?
Depois ainda querem que o cidadão deixe seu carro em casa e use o sistema de transportes, sendo que a paciência de esperar meia hora e ainda desafiar uma superlotação é desanimador.

O que deixa claro aqui é que o governo com sua demagogia quer o tempo todo vender que são os melhores para continuar sua política hereditária. Onde aqueles que se estabeleceram a 30 anos atrás ainda continuam sendo os nomes inovadores atuais. Com este tipo de abordagem a mídia vai perdendo a credibilidade e os governantes vai incutindo na mentalidade do povo as suas estratégia maquiavélicas de poder.

Até quando o povo vai ser inocente a este ponto?




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quarta-feira, 11 de novembro de 2009







Cultura do Absurdo


No geral o brasileiro têm Curitiba como uma cidade padrão. Mas, como toda cidade têm seus problemas dentro de uma ordem política que cada vez vem satisfazendo menos os cidadãos que a compõe.

E se a energia da cidade se torna caótica é porque esta é a soma de insatisfação que muitas vezes indicam para a necessidade de um estado mais policial sendo que a falha se encontra na conjuntura do estado que não acompanha as demandas ou se
posiciona numa política maquiavélica para provar o seu poder.


Cada vez mais se sabe que a cultura é um bem invisível com suas formas simbólicas que torna os “modus” e conflitos se assentarem num espírito de reciprocidade, que faz ver a importância do estado como organizador de uma comunidade de cidadãos. Mas, quando isto esta defasado, trás o transtorno entre o cidadão no seu ambiente com um estado apático e procurando se impor.

São detalhes que fazem a diferença, como a estrutura da Fundação Cultural de Curitiba que mantêm um sistema distanciado numa postura de que faz e não deixa ser visto como é gerido. Apresenta editais que são verdadeiras aberrações, que na verdade cada edital são dois editais.


Enquanto outros mecanismos semelhantes de demanda apresentam editais dinâmicos e dentro do espírito dos artistas; como formulários em Word com tamanho de 400 kb e edital de aproximado 200 kb. O edital do "Leituras Dramáticas Oraci Gemba" da Fundação Cultural de Curitiba apresenta 1.522 kb e o outro complementar do mesmo edital com 1.488 kb. Com um formulário a ser preenchido cheio de logomarcas para demonstrar seu peso político com 3.218 kb. Se for um artista que tem um computador mais velho com certeza sofre, e qualquer transferência de mídias de tais procedimentos devem ser bem analisado para a possibilidade de não dar certo, como uma de minhas experiências.

Dentro de dois editais, que no olhar da Fundação Cultural é apenas um, se pode esperar todas as exigências e imposições que o artista simplesmente fica atônito. No edital "Leituras Dramáticas Oraci Gemba" em primeiro lugar já colocam que ela será distribuída para bibliotecas, demandando de forma subjetiva que a sua avaliação tem que ser no contexto de uma universalidade do tema para abranger todos os gostos, mesmo colocando que o artista pode optar por adulto e infantil. O texto deverá ser entregue em três vias encardenadas juntando com os documentos, aparentando os volumes de processos judiciais. Visto que os tamanhos citados acima dos downloads demonstram que o custo de papel e impressão dos textos onera o artistas, que ainda por cima, e uns 95% dos esperançosos são eliminados nas avaliações da comissão julgadora, acarretando em desestímulo. Além do mais a exigência incisiva da postagem em Sedex com o custo que acarreta em inviabilidade para o artista que procura se manter a duras penas.

Para uma cidade ecológica, uma entidade cultural deste porte, tinha que ter a responsabilidade de perceber o desperdício e rezar a cartilha conforme a insistente propaganda de cidade modelo, que eles divulgam.

Mas, o que mais chamou a atenção no edital é o item 2.9. "Cada projeto deverá conter obrigatoriamente proposta de contrapartida
social, consistente na realização de ações de difusão artística, capacitação e/ou aprimoramento técnico, que incluam ciclos de debate, leituras dramáticas, cursos continuados, intervenções no espaço urbano, workshops, dentre outras. Na análise das propostas, serão valorizados a abrangência das ações, em termos quantitativos e qualitativos, e os elementos qualitativos constantes dos currículos dos executores destas ações”.

Aqui demonstra o caráter político que o artista deve se submeter para ter seu trabalho valorizado com R$10.000,00.

E ainda por cima, o artista deve apresentar um orçamento para gastar este valor, deixando claro que não é para premiar o texto de teatro, o tempo de reflexão e o tempo que o artista levou escrevendo. O que deixa claro é que a instituição quer que o artista trabalhe para a divulgação do estado que esta "dando" os recursos, e este resultado se submeta a resignação dos procedimentos. Se é que o artista neste momento vai ter tempo de trabalhar a sua produção artística, ou se ele tem a especificidade social que pode ser a diferença no conteúdo do texto teatral. Destacando a peculiaridade de muitos artistas que tem problemas de aceitar a convivência social e política.

O vício grave deste sistema vem impresso no edital com a possibilidade do artista apresentar até três nomes para avaliar o seu projeto. E aquele artista que tem a esperteza de colocar um laranja acaba tendo um resultado favorável, que vem dos resquícios de um coronelismo manipulando a seu favor dentro do estado. Fora que a Itália vem combatendo a máfia e no Brasil ela se torna um procedimento oficializado, sem nenhum problema.

Tais procedimentos citado e outros, mostram um sentimento de superioridade do estado, visível, diante da inferioridade dos artistas que tem pouco respaldo na valorização do seu trabalho. Tanto em Curitiba como nacionalmente. Visto o montante econômico de grande porte, e sua cultura vem sendo marginalizado por um status político. Bastando ver os nomes culturais que representam e são referência no Brasil.

Como um autor de texto e sabendo das produções do passado, venho pedir um mínimo de respeito e dignidade diante desta ótica esfacelada da produção contemporânea de um teatro local. Já adiantando a minha impossibilidade de participar dos editais “Leituras Dramáticas Oraci Gemba” com inscrição do dia 23 de setembro á 08 de janeiro de 2009, devido a falta de sensibilidade de perceber o artista na sua modesta participação do fomento cultural.

foto 1: Logomarca da Fundação Cultural de Curitiba
Foto 2: Sede Fundação Cultural de Curitiba no Largo da Ordem
Foto 3: Prefeito Beto Richa e Presidente da Fundação Cultural de Curitiba.



 Carlos Jansson



sábado, 23 de maio de 2009

Um detalhe já é certo, tenho que escrever para um dia escrever melhor. E como polaco introvertido, metido a falar de teatro e pesquisador do teatro polaco na Antropologia da UFPR. Sem dinheiro, mas feliz por estar pesquisando e escrevendo e principalmente metendo o pau neste governo dos maus tratos com o povo, e desta cultura enraizada com o poder superficial e falta de talentos.



Como descendente de polaco me vejo forçado a falar da peça “Semo Polaco Num Semo fraco” do diretor Jester Furtado do interior do Paraná, da cidade de Araucária. Falando em interior, porque alguém tem que representar o interior do Paraná no Festival de Curitiba.


Boas lembranças de uma secretaria da cultura do Paraná que não fez nada além do que deixar tudo como sempre esteve. Um abandono total na cultura do estado, enquanto outros estados têm suas leis de incentivo e os artistas produzem diante de um universo que mesmo sendo incentivado sobrevive a duras custas.

Pesquisei alguns governadores do Paraná para lembrar o nome de uma secretária de cultura, que era médica e de Londrina. Porque Londrina podia levantar a bandeira da interiorização do Paraná, motivando a produção e a qualidade cultural do estado. Mas, ela fez tão pouco que nem existe mais o nome dela em lugar nenhum.
Secretaria da Cultura do Paraná deveria ser extinta. Trabalha tão pouco que caberia em qualquer pasta. Basta ver o resultado da participação do interior em atividades culturais. Vejo pelo festival de Curitiba, que tem participação do Brasil inteiro e no geral de cidades que não são as metrópoles. E as cidades do Paraná?

Pelo menos temos um representante da cidade do interior que é Araucária, que sempre esteve ativo nas atividades culturais, fruto da imigração polonesa que sempre teve o teatro como um bem nacional. A peça teatral no estilo “Semo Polaco Num Semo Fraco” prioriza alguns arquétipos do cotidiano ingênuo do trabalhador tradicional da região próximo a Curitiba. E os atores buscaram uma pesquisa daquilo que é comum nos trejeitos livres e bem delineado dos polacos. Uma pesquisa que causa inveja e vontade de arrumar para que ela seja um pouco melhor, tirando os excessos que não tem nada haver com o trabalho. Manter sempre os mesmos atores com as características e deixar de fora os enchimentos para alongar a peça. Trabalhar a sonoplastia e a trilha regional e deixar o ator se esbaldar, porque ele consegue fazer bem o papel.

“Semo Polaco Num Semo Fraco” poderia se tornar a principal obra de arte de Jester Furtado que pecou no excesso. Uma obra que não é destas peças lambuzadas de teatros cariocas globais que vem a Curitiba e o contrário não acontece. De uma mídia convencida com o release do que vai ser dito e de um público burro dentro de uma supercialidade Foucaultniana no Teatro Guaira, de algo que era para ser bom mas não sabem onde esta a qualidade. Daqueles que dizem que não assistem as novelinhas. Mas pagam para ver um ator só para hierarquizar um poder de quem pode pagar para ver o atorzinho da novela, como foi na peça “Calígula” de Camus, e do Thiago não sei das quantas no Festival de Curitiba, no Teatro Guaira. Que por falar em Guaira, tem um espetáculo do sertanejo ator global Daniel.

O diretor Jester Furtado é um diretor visionário com peças bem elaboradas e com uma equipe fiel, que transita entre um festival a outro. Transita no sentido de que um festival acerta tudo e no outro complica. Como foi o ano passado com espetáculos dignos de aplausos e a peça do lixo, neste, numa forma assistencialista, que é bem próprio para agradar políticos e um público cansado de demagogias. Políticos que não sabem como é uma cadeira de teatro, porque nunca vi um deles prestigiando. A não ser submeter o artista a leis que privilegiam uns diante de uma demanda insuficiente para a dignidade dos artistas. Basta ver editais com dois mil artistas participando para aprovar uns dez artistas, e ainda suspeito por ter um poder de influência nas escolhas. São estas razões que fazem do Brasil um estado pobre de cultura e de uma superficialidade nauseante.

O pior é quando o estado não tem nem lei para dar alguma dignidade para os artistas como o Paraná. Que por alguma razão mantem uma produção quantitativa e menos qualitativa por se submeter a esta falta de sensibilidade política com seus artistas.

Chega dos lambuzados e vamos olhar para os nossos artistas, porque eles não olham para nós. E quando estão na estrada de volta para casa, voltam tomando champanhe com a glória conquistada por aqui. E os nossos, não merecem?

quarta-feira, 22 de abril de 2009

A divulgação é tudo para dar visibilidade a um trabalho, desde cartazes, folders para distribuição como convite para assistir as peças. Um ingrediente essencial no Festival de Teatro de Curitiba. E o ano de 2.009 não foi muito feliz, começando pelo cartaz da peça “Você Nunca Viu Nada Igual” que era ruim e a peça muito boa.

Alguns não fazem nem idéia de como fazer seu trabalho acontecer, porque se fosse fácil todos os espetáculos tinham casa cheia. E os atores poderiam comprar seu carro, sua casa e constituir família. Lembrando que o problema cultural no país não é culpa dos artistas e sim de uma conjuntura política corrupta. De uma vaidade tendenciosa pelos meios de comunicação que não dão trégua para seu povo na dignidade de ter uma melhor qualidade de vida, onde prevalece sempre os interesses burgueses e uma grande discriminação de valores.

Um cartaz que marcou por ser muito ruim foi a peça “Medéia”, que surpreendeu pela qualidade do espetáculo. Sempre é bom assistir os clássicos, mas esta foi muito bom, e gratificante por ter tido um amigo que trilhou na escola Macunaíma de São Paulo. Fui responsável por muitas indicações para assistirem o espetáculo. O que penalizou foi a postação de voz, de alguns personagens. Em compensação têm um coro lindamente composta como um lindo sonho exótico. No geral foi impressionante o cenário. A coreografia e o trabalho de luz muito bem elaborados. Intenso do início ao fim do espetáculo e com um cartaz que não colocaria na parede do meu quarto.

O engraçado foi o cartaz da peça “Trem do Riso”, que um amigo apontou e disse que o cartaz era muito simples e me perguntou se eu iria ver. Num tom de que ninguém ia assistir. E no fim foi uma peça com casa cheia todos os dias.
O “Trem do Riso” foi atípico por apresentar um trabalho ingênuo destes que vem do nordeste de um sujeito que se intitula Mineirinho de Maceió. Não entendi o porque deste nome e que não vem ao caso porque cada louco com suas loucuras e o trabalho dele é de um ator com o talento original quando canta, dança e uma presença de palco contagiante.

O certo do nordestino é a rodoviária de São Paulo. Mas como é artista, já desce na porta do Projac. Talento para isto ele tem, e já vem do nordeste com uma cara natural de chorão. Só não tem a cabeça achatada e deve ser aí que esta a explicação do nome mineirinho.

O espetáculo é bom e contagiante, sempre de casa cheia pela habilidade empática com o público. Um público que perdoa até algumas fragilidades, sendo que tem boas piadas, dança e o glamour esta nos repentes e a introdução dos personagens.
Esta introdução que poderia ser melhor elaborada quando busca a nostalgia da descoberta dos personagens. Mas o público perdoa, como perdoa os play backs assembleianos. Com certeza ele faria muito sucesso na Assembléia de Deus e justificando que nos caminhos que ele anda é possível que esta seja a qualidade necessária para um público especifico. Como falei, é um espetáculo peculiar. Mas, não tem que não goste e não saia com dor de barriga de tanto rir.
O que faltou foi um cuidado maior com o repente. Foi tão pouco utilizado e que com certeza seria o carro chefe do espetáculo. E não valeu a pena ter substituído pelo play black no meu ver. Seria perfeito como foi a introdução do Pantera Cor de Rosa com o pano que deve ter comprado nas Casas Pernambucanas.

O “Trem do Riso” é um espetáculo feito do talento regional com elementos que bem trabalhado pode apresentar em qualquer lugar do mundo. É como falei, “bem trabalhado” porque ainda falta lapidar alguns detalhes para calar a boca dos críticos. Mas é um espetáculo que assistiria quantas vezes possíveis, isto porque o mundo esta triste e precisando de mestres que consigam fazer o mundo rir.