quarta-feira, 8 de julho de 2015

Alfandegário sem fronteiras - Pós-Dramático



A crítica teatral já teve seus ícones aliados a promoção desta arte no Brasil. Não que deixou de existir. Hoje se tem muito mais críticos e em eventos como o Festival de Teatro de Curitiba se pode ter a noção de quem são aqueles que estão intermediando o contato do público com os espetáculos. Os jornais de destaques eram no eixo Rio de Janeiro e São Paulo e hoje no Brasil inteiro. 

Lendo o texto O Crítico Pós-Dramático: um alfandegário sem fronteiras de Sérgio Salvia Coelho deu para sentir um divisor de águas na entrada das encenações do pós-dramático no Brasil. E pelo jeito foi um novo momento para a crítica com o choque do pós-dramático. 
O Sérgio conta que o Décio de Almeida Prado, um crítico e fomentador do teatro como o TBC teve um enrosco com o José Celso Martinez por sua nova forma de fazer teatro e desprestigiando o crítico, com o desabafo: "percebo muito bem um teatro que não seja racional, mas não posso me livrar inteiramente de um certo racionalismo que tenho. Só posso escrever da maneira como sou" diz o Décio. 
Uma situação lamentável diante da importância deste crítico para o teatro nos seus áureos momentos para o Brasil, que perdeu um dos patriarcas teatrais. 

Só, Ifigênia, sem Teu Pai de Sérgio Salvia Coelho
A importância da crítica conforme o Sérgio coloca ultrapassa o jornalismo de informações. Nele se constrói uma perspectiva para futuras pesquisas. Uma ética e um profissionalismo que não deve absorver uma opinião pessoal e ao mesmo tempo o pessoal tem que existir para que se possa orientar e informar com um olhar crítico de vivência no meio. E o crítico deixa de ser apenas um jornalista para ser alguém da classe teatral e coloca a importância para a pesquisa desta arte: "mas também o historiador que resgata a memória do que viu no calor da hora, para o lucro do futuro pesquisador." 

O Sergio Salvia Coelho no final do seu elogio a crítica cultural e navegar pelos feitos destes deslumbrados correndo atrás das artes cênicas justifica o seu título com "o crítico de teatro, este pobre alfandegário sem fronteiras, estará sempre pronto a se maravilhar." Grande final que mostra o seu envolvimento e paixão pelo teatro.  

O artigo O Crítico Pós-Dramático dele se encontra o livro Pós-Dramático: um conceito operativo? de Guinsburg e Sílvia Fernandes pela Perspectiva.  

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