domingo, 31 de maio de 2015

Amor impossível: Um texto aparentemente futurista ou não....



Lendo o texto do blog "Amor Impossível de Suely Rolnik" me deparei com a fala "espelho, espelho meu, existe alguém mais mulher do que eu?". E curioso de saber se é uma fala de Homero ou talvez da "Mimese". Um texto de uma abordagem certeira, porém...

É intrigante o caso de amor de Penélope e Ulisses numa separação que considero o episódio pai de todos no cavalo de Troia. Brinco muito com a Troia com meus alunos de ensino médio. E eles se divertem muito. Uma das brincadeiras é quando faço uma comparação com aquele email que eles recebem na caixa de mensagem dizendo que tem uma foto da Xuxa pelada, e eles abrem e o computador explode. Isto pelo tanto de vírus que infectou o computador. E assim começo a brincadeira. E todas as vezes as gargalhadas me enchem o espírito e potencializam uma aula agradável. Algumas piadinhas com o Ulisses apaixonado e o curso fica bem ilustrado. 

Mas se a desterritorialização foi colocado na primeira bíblia grega. Então como colocar ela como futurista se ela sempre existiu? Existe uma tendência de todo o conhecimento passando por um território do passado e do futuro. Não deixando de existir sem dar a ênfase de um futuro mau com orientações tendenciosas como discurso. Desfazer os gens gregos não quer dizer que lá já não havia ou o seu princípio foi no sentido dele. Se pode achar que a humanização ultrapassa o natural e talvez o natural queira se sobressair sobre a humanização. Adotando ela como um desenvolvimento e até "uma direção da marcha do mundo" beirando a ficção. Muito saudável por sinal.

O Amor impossível tem consistência. Mas acaba a consistência quando Penélope não reconheceu a mancha do Ulisses. Mas que amor é este? E aí o problema já não é do épico e sim do olhar de Homero com o complicador que eram histórias orais do aumenta um ponto no conto feita por um povo fazendo a leitura sobre os seus. E tendo uma desterreorialização e a democracia se aliando em pról de uma liberdade. Sendo que a liberdade contratual vem se mostrando uma falácia. 

sábado, 30 de maio de 2015

Estética e Arte Dramática.



Sempre fiquei incomodado com abordagens em aulas de estética com uma orientação pelas belas-artes. De cara os professores vinham com pinturas de renomados do passado como comparações e escolas. Traduzindo em alguma coisa na grandeza da filosofia. A típica aula que dava vontade de levantar e ir embora já que ela não me serviria para nada. Tal era o meu distanciamento. Não que eu não goste de pintura, sendo que meu início artístico foi as pinturas a óleo e poderia ser um grande pintor um dia se estivesse lá no passado. Os tempos hoje não sugere uma vocação deste tipo e sim para uma ação entre 4 paredes. Não pensem que é cama e sim um cenário repleto com movimento.

Agora ficou tudo muito claro quando inicie a leitura do texto "A obra de arte viva" do Adolphe Appia. E já de cara, no inicio do livro ele abre aquilo que faltava concluir:

"Existe, porém, uma forma de arte que não encontra o seu lugar nem entre as belas-artes, nem na poesia (ou na literatura) e que não constitui menos uma arte em toda a força do termo. Pretendo referir-me à arte dramática". (p.20)

Claro que isto é um problema na estética já considerando a arte poética nos moldes das tragédias gregas que desencadearam toda uma representação viva no prático humanizado. Suspeitando que tudo que fazemos está inserido nele nas formas de espelhamento. É um rompimento incomodo na estética. Se faço teatro e numa aula alguém vem me falar de pinturas é quase como se sentir esfaqueado diante da importância do primeiro. Como falei; sem tirar o mérito das pinturas que lembra muito as cópias do simulacro de Platão. Acho pouco confiável.  

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Fundação Cultural de Curitiba 2015




A Fundação recebeu 268 projetos de cênicas no "mecenato subsidiado 2015". E deles alguns vão ser aprovados por uma seleção criteriosa. Na verdade isto quer dizer que os projetos vão ter um equivalente de valores para existirem. O certo seria que todos fossem aprovados por ser uma iniciativa cultural artística de promoção de uma comunidade pulsando arte. Mas não é assim que as coisas acontecem. São poucos que chegam lá e as vezes são os mesmos de sempre como tem acontecido muito. Acredito que destes uns 10 ou 20 vão ter suas propostas aprovadas. E quase sempre não é pelo seu teor artístico e sim por ter se enquadrado em um edital cheio de especificações preconceituosas e burocráticas, jogando um balde de água fria em qualquer boa vontade artística e potencialização de um grande artista. 

O Brasil é um dos países que mais se cobra impostos no mundo. O governo pega o dinheiro numa iniciativa de promover serviços e fomentos. Inclusive da cultura. Só que se observar na realidade não é isto que acontece. Os impostos servem para inchar instituições que não cumprem aquilo que foram criadas no sentido de interceder no objetivo. E levando isto ao extremo de colocar que fazem o sentido ao contrário do proposto sendo que pegam muito dinheiro e dão pouco dinheiro ao fomento, marginalizando o resto que não são poucos. 

O artista investidor ou empreendedor pensa numa estrutura viável e de perspectivas futuras estabelecendo uma parceria com os meios institucionais de promoção cultural. Mas na verdade isto é uma grande armadilha. Os 268 projetos pagam impostos altos já que todos tem que ter empresas constituídas. Estou certo ou não? O pior é que estou certo. Todos tem empresas e sei muito bem da quantidade de impostos que são obrigados a pagar mesmo não tendo giro, já que a arte não tem características comerciais comuns de produto. E se entram no mecenato é numa iniciativa de socorro diante do desespero que se encontram. Querem um pouco do retorno daquilo que investiram e uma esperança renovada já que o governo é o principal desestimulante da cultura, mesmo dizendo-se o grande interessado. Tive uma empresa sem fins lucrativo. O sem fins lucrativo era no sentido de me verem com alguém que não tinha interesses comerciais e que não deveria pagar impostos como eles. Grande engano. Acabei pagando muito mais. 

Este artigo serve como algo que possa auxiliar aqueles que acreditam. Acreditar neste Brasil com tudo passando pelos políticos gordos é suicídio. A estrutura que o Brasil diz ter na área da cultura é uma grande mentira e só serve para alguns atrelados aos maiorais. Desconfie. Você está no Brasil. E hoje nós temos um presidente da Fundação Cultural de Curitiba, Marcos Cordiolli que foi assessor técnico da comissão de Educação e Cultura da Câmara dos deputados em 2010. Então não espere nada para não investir na sua própria infelicidade. Aceite o conselho de um amigo. 

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Apropriações Teatrais



Existem certas apropriações que agridem e são tratadas como simples metáforas para se dizer alguma coisa. Sem se ater ao desvio que ela possa causar e danificando o significado das coisas. Num estafe de conhecimento um doutor para ilustrar o seu apreço pela democracia colocou que os gregos se manifestavam durante as tragédia e com isto o Platão ficou avesso ao teatro. Claro que ele odiava os sofistas e até tinha a iniciativa de uma ágora pulsante. Não sei até que ponto as duas coisas se misturam. Só que a afirmação que liga a tragédia a democracia pode sair cara por um comportamento ou uma episteme que não são da mesma abrangência. Existia todo um aparato político sendo que tais empreendimentos eram patrocinados. Só que as tragédias tinham uma elevação que se aproximava dos deuses. Certo que certos deuses se humanizaram. E se as tragédias se tornaram uma convulsão de críticas e interferências acabam não batendo com as características de um ator aceitando o seu papel ameaçado nos palcos. Se isto aconteceu com certeza foi o final do teatro. E não é isto que vemos no fazer desta arte. 

Os modos contemporâneos que se assemelham a tais condições no teatro podem dar aberturas para um público se manifestar. Mas mesmo assim com seus limites. Podendo ser um teatro como Bertold Brecht de um eterna discussão política que se insere no tempo presente sem se perder dela e até épico. Queira o não ela continua sendo um forma das quatro paredes intuitiva. Uma forma de ver a vida espelhada e refletida. Esperar que este espelho que misture é um pouco demais. As tragédias ganham um teor enigmática e um vulto de vida própria intocável. Ela chama um auditório que se resigna diante dos fatos que transcendem a compreensão e delimita os atos humanos. O espelho não serve só para se maquiar. 

A grande diferença dos nossos teóricos é que não se envolvem numa vida prática já que os tempos experimentais são fontes de novas filosofias. Repetem-se em espelhos metafísicos já propagados seu fim. E muitas vezes falam coisas sem o grau epistêmico necessário. O teatro não é tão aberto ao ponto de colocar a democracia como sua origem. Ele se afunda em poços interiorizados numa singularidade avesso ao absoluto. Até como arte intuitiva se chega a uma obra com o belo. Mas colocar o teatro a serviço da democracia acabou forçando demais. Pode ser até que tenha exemplos para se mudar o sentido das coisas. Que é bem difícil. Já sei que vão me dizer que o teatro arena era por uma democracia. Só o que ninguém fala é que Jean-Jacques Rousseau colocava a democracia para um grupo de habitantes pequeno. E se te falarem que estamos numa democracia, desconfie.


domingo, 24 de maio de 2015

A Máquina Teatral



Vivemos uma vida que se pode dizer intensa. Por mais que não se queira fazer nada se faz alguma coisa. Existindo momentos de verdadeira contemplação naquilo que se faz aprender a andar de bicicleta. Era uma já usada e resistia ao tempo e nele pude constatar a qualidade do vento no rosto pedalando pelas ruas. É como Artur Azevedo num dos textos dele colocando a experiência de uma criança no início do século no Rio de Janeiro andando de bicicleta em épocas que ela estava sendo inventada. 

Richard Lindner: Boy com Máquina
É possível se notar uma grande diferença entre estes que fazem artes e aqueles que não fazem e se dedicam a uma vida prática. Vida prática na filosofia é mais ou menos aquilo que Nietzsche coloca com uma falta de valorização da vida. Um condicionamento ruidoso que no geral o sistema impõe diante de uma consciência capitalista que para ser feliz é necessário o consumo. 
Só que deveriam se libertar e perceber que nossas vidas nem sempre se enquadram dentro daquilo que estabelecem como uma onda a ser seguido. E neste caso os artistas no geral se enquadram como libertados. 

Os animais brincam. Os homens buscam as brincadeiras num intuito de ser contrário ao pessimismo da realidade. Dá para perceber que é uma causa da natureza se manifestar de forma otimista. E aqui se misturam aqueles que pensam não ser artistas. Toda a produção tem um efeito artístico. Uma bricolagem. Muda-se um cano de água para facilitar um manuseio. Se coloca uma luz para iluminar as noites. São padrões da vida. 

No teatro se tem as técnicas para um desenvolvimento dos palcos no trabalho dos atores. Que hoje se confunde muito com a inércia tecnológica de que avançamos na representação com seus usos. E quase sempre se confunde nas alternativas deixando o público a desejar um espetáculo totalizado em uma obra. Não um exato absoluto e sim ele com suas intuições que aproximem o público com uma elevação artística. Existe um poder nas coisas feitas que não se deve diluir para uma desconstrução que não seja a obra. Um modismo na tentativa de trilhar um modismo que não sustenta uma arte que precisa manter sua identidade. A representação vai continuar existindo e diante de um mundo prático excluí o simulacro que as técnicas viabilizam. Ainda somos máquinas práticas sujeitas a uma esquizofrenia limite. A cura não se viabilizou e não é os artistas que vão conseguir implantar um chip de transcendência.

O teatro com suas características ganha um glamour quando ela mantem sua personalidade dentro de um espaço que lhe é delimitado. Isto ajuda na visualização de uma profissão que alça degraus nas pesquisas dos espelhos que somos. Não há um grande objetivo a ser alcançado nas tecnologias senão aquelas que auxiliam a obra. Dar um passo além disto e dar um passo atrás no brilho desta arte. Confundir não melhora em nada. 


sábado, 23 de maio de 2015

Crítica Teatral e o Jornalismo Cultural



Muitas vezes o espetáculo se sente órfão numa espécie de solidão. O público almejado não é aquele que a direção gostaria de ter. Uma das realizações principais é de ter os seus como os amigos, a família ou um grupo específico diante do tema da obra como público. Tal empreendimento não se realiza e é mais fácil desenvolver um trabalho na perspectiva de ser surpreendido com um público alternativo, para não se frustrar. Aquelas pessoas amigas, as mais amigas com certeza vão ter uma justificativa de trabalho ou estavam viajando. Mesmo que o ingresso seja gratuito. 

Outra solidão dos espetáculos é o reconhecimento. Aquele olhar de alguém do meio que venha dizer que você faz parte de uma escola artística e sua proposta é uma pesquisa apropriada. No geral as pessoas vão pelo entretenimento e provavelmente vão falar pouco sobre o que viram. A vida prática filosófica de um mundo em movimento com os detalhes sem os critérios, inseridos numa atmosfera comum. 

São etapas de uma reflexão nas montagens que não devem ser negligenciadas num amadurecimento de grupo sabendo o que esperar do trabalho. São inúmeras as situações que podem se apresentar e fragilizar a iniciativa. As armadilhas do que esperar de um trabalho pode ser desgastantes num processo. Uma vez fui divulgar a minha peça num evento cultural e o produtor mandou um segurança me expulsar da frente do espaço. Um segurança que não mediu esforços para fazer o seu trabalho sendo que no dia da apresentação da minha peça me encontrava cheio de dores.
Não se pode esperar muito de um desenvolvimento cultural no Brasil. Existe aquele olhar que nós somos europeus quando assumimos uma desenvoltura cultural com um refinamento ético e moral, sendo que somos brasileiros de um povo singular sem ser cópias. Aqui as coisas são diferentes e o de fora é só uma utopia de um mundo melhor. 

A estratégia de divulgação de uma peça é necessária e faz parte do sucesso já que os grupos no Brasil não contam com os recursos e fomentos que dizem dar. Deve-se esperar um mínimo para se satisfazer com uma média não esperada. É como filósofos que condicionavam suas vidas num padrão de não se esperar muito para se satisfazer com o pouco. Isto é uma tática e não uma regra já que o sucesso vai vir com toda a certeza. Faz parte do amadurecimento evitar frustrações e as vias do crescimento no trabalho. É uma arte do brilho. Não merece ser ofuscado.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Celulares no espetáculo teatral



Uma das grandes preocupações neste momento tecnológico, onde as pessoas deliram em gastar fortunas num aparelho que cabe na mão, se tornou centro de debates e críticas do seu uso em salas de espetáculo. Ele é tão importante para os atores pedindo aquele silêncio cheio de transcendência entre a cena e o público que acaba tendo um discurso inicial com a mensagem "desligue seus celulares".

A interferência de um espetáculo não é novo. Sempre existiu e é bem possível que lá na Grécia o público já se manifestasse durante as peças.
Num dos momentos mais intensos na passagem do mundo medieval para o modernos nas penas dos grandes filósofos iluministas e também dramaturgos existia tal preocupação. Não era o celular é claro. Nesta época era a quantidade de pessoas interessadas e as disposições do público nos teatros. Quem olha os filmes da época pensa que os teatros eram suntuosos. Mas não era bem assim. 

Segundo Voltaire reclamando que era tanta gente que deixavam "3 metros de espaço livre para os atores" prevalecendo os longos discursos devido a falta de espaço para as ações. É engraçado que ele coloca a falta das ações teatrais no sentido de suprir as deficiências dos poetas e entreter os olhos quando eles são incapazes de encantar os ouvidos ou comover o coração". Quem fala isto é o maior dramaturgo da época, o Voltaire.

Uma das grandes vitórias foi um conde custeando os grupos que não precisavam mais do público. Isto me lembra a lei de incentivo do cinema no Brasil patrocinando os filmes, sendo que o lucro dos autores estava na lei e não precisava de público nas salas de cinemas. Do jeito que a cultura do Brasil anda pelo jeito não mudou nada, e os velhos caciques continuam fazendo seus filmes.

A grande ferramenta do teatro é o público. Sem ele não é possível as palmas que sapateiam a alma dos artistas numa grande dança nos céus. E possivelmente o público se manifestando de alguma maneira também vai ser o inverso com a interferência naquilo que Aristóteles postou entre o público e a peça teatral. Há uma singela alteridade nisto que não dá para tacar um celular na cabeça de um espectador.

Se é um ator lembre-se que a química de um celular na mão e assistindo uma peça de teatro quer dizer que existe uma afinidade dos novos tempos para algo não superado. O palco é ainda palco da vida e das grandes artes. Tudo se modifica e o teatro resiste. Não devemos competir com as transitoriedades. Mas não esqueça da mensagem no inicio da peça do "desligue seus celulares". Dificilmente alguém não vai desligar. O respeito ao teatro diz isto.