Uma das grandes preocupações neste momento tecnológico, onde as pessoas deliram em gastar fortunas num aparelho que cabe na mão, se tornou centro de debates e críticas do seu uso em salas de espetáculo. Ele é tão importante para os atores pedindo aquele silêncio cheio de transcendência entre a cena e o público que acaba tendo um discurso inicial com a mensagem "desligue seus celulares".
A interferência de um espetáculo não é novo. Sempre existiu e é bem possível que lá na Grécia o público já se manifestasse durante as peças.
Num dos momentos mais intensos na passagem do mundo medieval para o modernos nas penas dos grandes filósofos iluministas e também dramaturgos existia tal preocupação. Não era o celular é claro. Nesta época era a quantidade de pessoas interessadas e as disposições do público nos teatros. Quem olha os filmes da época pensa que os teatros eram suntuosos. Mas não era bem assim.
Segundo Voltaire reclamando que era tanta gente que deixavam "3 metros de espaço livre para os atores" prevalecendo os longos discursos devido a falta de espaço para as ações. É engraçado que ele coloca a falta das ações teatrais no sentido de suprir as deficiências dos poetas e entreter os olhos quando eles são incapazes de encantar os ouvidos ou comover o coração". Quem fala isto é o maior dramaturgo da época, o Voltaire.
Uma das grandes vitórias foi um conde custeando os grupos que não precisavam mais do público. Isto me lembra a lei de incentivo do cinema no Brasil patrocinando os filmes, sendo que o lucro dos autores estava na lei e não precisava de público nas salas de cinemas. Do jeito que a cultura do Brasil anda pelo jeito não mudou nada, e os velhos caciques continuam fazendo seus filmes.
Uma das grandes vitórias foi um conde custeando os grupos que não precisavam mais do público. Isto me lembra a lei de incentivo do cinema no Brasil patrocinando os filmes, sendo que o lucro dos autores estava na lei e não precisava de público nas salas de cinemas. Do jeito que a cultura do Brasil anda pelo jeito não mudou nada, e os velhos caciques continuam fazendo seus filmes.
A grande ferramenta do teatro é o público. Sem ele não é possível as palmas que sapateiam a alma dos artistas numa grande dança nos céus. E possivelmente o público se manifestando de alguma maneira também vai ser o inverso com a interferência naquilo que Aristóteles postou entre o público e a peça teatral. Há uma singela alteridade nisto que não dá para tacar um celular na cabeça de um espectador.
Se é um ator lembre-se que a química de um celular na mão e assistindo uma peça de teatro quer dizer que existe uma afinidade dos novos tempos para algo não superado. O palco é ainda palco da vida e das grandes artes. Tudo se modifica e o teatro resiste. Não devemos competir com as transitoriedades. Mas não esqueça da mensagem no inicio da peça do "desligue seus celulares". Dificilmente alguém não vai desligar. O respeito ao teatro diz isto.

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